Rede Maranata

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Louvor, a causa da vitória.



O louvor é uma expressão de júbilo do povo de Deus tanto nos momentos de profusa alegria como no vale da dor mais atroz. Jesus, estando com sua alma angustiada, na noite em que foi traído, depois de celebrar a ceia com seus discípulos, no cenáculo, cantou um hino e saiu para o monte das Oliveiras, onde travou uma luta de sangrento suor e derramou lágrimas, na mais titânica batalha da humanidade. Paulo e Silas cantaram na prisão, à meia noite, com seus pés presos no tronco e com seus corpos ensanguentados. O patriarca Jó, mesmo esmagado pela dor avassaladora da morte de seus dez filhos, num único acidente, prostrou-se com o rosto em terra e adorou a Deus. Mais tarde chegou a dizer que Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.
Queremos examinar o assunto em tela, examinando a passagem de 2 Crônicas capítulo 20. Josafá, rei de Judá, homem piedoso e temente a Deus foi entrincheirado por três nações inimigas: Edom, Amom e Moabe. Esses inimigos entraram em acordo para atacar Jerusalém. A cidade de Davi estava cercada. Os adversários já estavam posicionados, estrategicamente, às margens do Mar Morto, muito próximo de Jerusalém. A notícia chegou ao rei de Judá numa hora em que não se tinha tempo suficiente para esboçar qualquer reação àquele grande exército invasor. Nesse momento, Josafá teve medo. Sabia que era uma causa humanamente perdida. Sabia que o tempo conspirava contra ele. Sabia que seus recursos eram insuficientes para entrar naquela peleja. Em vez de desesperar-se, porém, Josafá pôs-se a buscar o Senhor, e decretou um jejum em todo o Judá e conclamou o povo a orar. O próprio rei confessou não saber o que fazer, mas reafirmou sua confiança em Deus, quando disse: “os nossos olhos estão postos em ti”.
Quando o povo clama a Deus, a resposta vem e vem trazendo orientação segura. O povo não deveria temer. Deus lutaria por ele. A vitória não viria do braço da carne nem da estratégia militar. Deus mesmo desbarataria seus inimigos e lhes daria retumbante vitória. Surpreendentemente, Deus ordenou que se ordenasse cantores que, fossem à frente do exército, cantando louvores ao Senhor, em voz alta sobremaneira. A vitória viria não pela espada, mas pelo louvor. Viria não pelo combate, mas pela adoração. Diz a Escritura que, tendo eles começado a cantar e a dar louvores a Deus, o Senhor pôs emboscada contra os inimigos e eles foram desbaratados. A vitória não veio como resultado da batalha, mas como consequência do louvor. O louvor não é apenas arma de guerra, mas o brado do triunfo. O louvor não é apenas consequência da vitória, mas, sobretudo, a causa da vitória. Não devemos louvar a Deus apenas depois que o inimigo foi derrotado, mas devemos louvar para que o inimigo seja derrotado. Não devemos louvar apenas porque o sol está brilhando, mas devemos louvar mesmo nas noites escuras. Não devemos louvar apenas depois que a tempestade se foi, mas louvar para que ela se vá. O louvor é uma expressão de confiança inabalável de que Deus está no controle da situação, mesmo que nós já tenhamos perdido o controle. O louvor é a manifestação de nossa alegria em Deus, mesmo que as circunstâncias à nossa volta conspirem contra nós. O louvor não é apenas um sentimento ou uma emoção, mas uma atitude de descansar em Deus e exultar em sua bondosa providência.
Quando o povo de Israel chegou no acampamento do inimigo, o vale da ameaça, encontraram seus adversários mortos e o acampamento repleto de ricos despojos. O vale da ameaça foi chamado de “vale da bênção”. O lugar do perigo, tornou-se o território da vitória. O ambiente de apreensão e medo, transformou-se no palco da celebração. A arena da espoliação, converteu-se em campo fértil da provisão. Aquilo que apontava para a morte irremediável, transformou-se no cenário mais eloquente da vida. O louvor ainda hoje nos coloca acima dos problemas e mais perto daquele que está assentado na sala de comando do universo.
Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Conselhos de pai para filho



Referência: Provérbios 4.1.27
INTRODUÇÃO
Hoje é o dia dos pais e queremos trazer uma palavra da parte de Deus, o Pai das luzes, para os filhos. Este texto é uma espécie de testamento que Davi deixou para Salomão e este entregou a Roboão. Aqui temos muitas lições importantes a respeito de conselhos de pai para filho.
1. O aprendizado é um processo contínuo (4.3,4)
Davi dedicou-se a instruir Salomão desde a sua infância. A sabedoria que Salomão pediu a Deus foi fruto da instrução de seu pai desde a sua meninice. O legado que Salomão está entregando a seu filho, ele havia recebido de seu pai. O processo ensino-aprendizado deve passar de pai para filho, de geração para geração.
2. O aprendizado deve ser fundamento na verdade (4.2)
Davi deu boa doutrina a Salomão. Nós pais precisamos dar boa doutrina aos nossos filhos. Precisamos ensinar a eles a Palavra de Deus. Deuteronômio capítulo 6 diz que primeiro os pais vivem a verdade, depois a ensinam. Os pais devem ensinar com a vida antes de ensinar por preceitos.
Precisamos inculcar a verdade no coração dos filhos (Dt 6.7). Precisamos criá-los na disciplina e admoestação do Senhor (Ef 6.4). Precisamos ensiná-los no caminho em que devem andar (Pv 22.6).
I. OS FILHOS DEVEM BUSCAR A SABEDORIA MAIS DO QUE QUALQUER OUTRA COISA NA VIDA – (4.1-19)
A sabedoria é um dom de Deus (Tg 1.5). Salomão pediu a Deus sabedoria e recebeu com ela riquezas e glórias (1Rs 3.5-13). Davi disse para Salomão: 1) Adquire a sabedoria (4.5); 2) Não abandone a sabedoria (4.6); 3) Não deixe a sabedoria ir embora (4.13); 4) Ame a sabedoria (4.6); 5) Abrace a sabedoria (4.8).
Davi está ensinando a Salomão desde criança que a sabedoria vale mais do que dinheiro (4.7). Quantas falcatruas estão sendo feitas por causa do dinheiro. Os mensaleiros e as sanguessugas do congresso nacional provam que o dinheiro mal adquirido pode trazer conforto, mas na esteira da riqueza vem a vergonha, o opróbrio. Não vale a pena ganhar dinheiro com desonestidade.
Quais são os benefícios da sabedoria?
1. A sabedoria traz proteção (4.6,12)
Uma pessoa sábia não põe o pé no laço do passarinheiro. Uma pessoa sábia não anda na roda dos escarnecedores. Uma pessoa sábia foge de circunstâncias perigosas. A sabedoria é um freio que não o deixa resvalar os pés no terreno escorregadio da tentação.
Sansão tinha força nos braços, mas não sabedoria no coração. Ele pôs os seus pés nos terrenos escorregadios da tentação e acabou envergonhado e cego.
2. A sabedoria traz honra e exaltação (4.8,9)
A sabedoria promove você. Ela coloca você em destaque no meio da sua geração. Ela coroa você com um diadema de graça e põe na sua cabeça uma coroa de glória. Salomão pediu a Deus sabedoria e o Senhor fê-lo o homem mais sábio, mais rico e mais famoso da sua época. Enquanto o filho insensato é a tristeza da sua pai, o filho sábio é a alegria do seu pai. A sabedoria promove as pessoas.
O mundo hoje é dos espertos. As pessoas maquinam o mal e correm para praticá-lo. Mas, o final dessa linha tem escuridão. Mantém sua integridade. Não negocie os seus valores. Há seu tempo, Deus exaltará você. Se neste mundo você não for recompensado pela sua integridade, na glória você ouvirá: “Bom está servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor”.
3. A sabedoria traz satisfação interior (4.4,13)
Salomão tinha experiência dos dois lados da vida. Houve um tempo em que ele buscou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama e o resultado foi uma total frustração (Ec 2.1-11).
Agora, porém, ele está dizendo que pela observância dos mandamentos de Deus é que vivemos (4.4) e quando guardamos a instrução, isso é a nossa própria vida (4.13). Essa vida é aquela realização interior. É aquele preenchimento do vazio. É aquela satisfação interior que o homem busca nas coisas e não encontra.
4. A sabedoria traz longevidades (4.10)
A obediência traz qualidade de vida e também vida longa. Honrar pai e mãe é o primeiro mandamento com promessa e a promessa é vida longa sobre a terra. A sabedoria é o melhor elixir da juventude. A paz interior produzida pela sabedoria é o melhor tônico para uma vida de qualidade. Os maiores tormentos que o homem experimenta são fruto da sua desobediência aos princípios de Deus.
Os prazeres que o mundo oferece atormentam a alma e roubam os anos de vida. O pecado mata. A desobediência aos pais é um caminho de morte.
5. A sabedoria traz livramento de más influências (4.14-19)
Precisamos colocar o ninho dos nossos filhos longe dos predadores. Davi abriu o livro de Salmos dizendo que feliz é o homem que não anda no caminho do ímpio, não se detém no caminho dos pecadores nem se assenta na roda dos escarnecedores (Sl 1.1). A ordem de Salomão em relação ao caminho do perverso é clara: 1) Não entres (4.14); 2) Não sigas (4.14); 3) Evita (4.15); 4) Não passes por ele (4.15); 5) Desvia e passa de largo (4.15).
Por que os filhos precisam fugir do caminho dos perversos?
5.1) Porque eles têm pressa para fazer o mal (4.14-16) – Eles empregam toda a sua energia para conceber e praticar o mal. O prazer deles é fazer as pessoas tropeçarem. Eles são agentes da morte, filhos do inferno, instrumentos do diabo. Os traficantes ficam nas portas das escolas. Exemplo: vejo na porta do Darwin a panfletagem ostensiva dos shows, onde tantos jovens se iniciam na bebida, nas drogas e no sexo antes do casamento.
5.2) Porque eles vivem desonestamente (4.17). O dinheiro que eles ajuntam não é limpo. Os bens que eles acumulam é fruto de roubo. A corrupção ativa e passiva é um câncer na sociedade contemporânea. As pessoas roubam, corrompem, matam e morrem por causa de dinheiro.
5.3) Porque eles caminham sem rumo na história (4.19). O caminho do perverso mesmo com muito dinheiro é cheio de escuridão, cheio de tropeços, cheio opróbrio e vai desembocar no inferno. Seguir esse caminho é caminhar na direção do juízo.
II. OS FILHOS DEVEM SER GOVERNADOS TOTALMENTE PELA SABEDORIA – (4.18,20-27)
A observância dos preceitos de Deus produz vida e saúde (4.22). Aqueles que buscam a sabedoria têm qualidade superlativa de vida física e espiritual.
Como podemos ser governados pela sabedoria?
1. Que a sabedoria trombeteie aos seus ouvidos (4.20)
Deixe que a instrução dos seus pais penetre em seus ouvidos. Abra seus ouvidos para ouvir os conselhos. O caminho da obediência pode ser o mais estreito, mas só ele o levará à bem-aventurança e ao céu.
2. Que a sabedoria proteja seus pés (4.26,27)
Não ande por caminhos tortos. Não entre em lugares onde seu coração seja tentado a pecar contra Deus. Não vá a nenhum lugar onde você não possa levar com você o Espírito Santo e honrar a Jesus. Você é templo da habitação de Deus: aonde você vai, você transporta a presença de Deus.
Evite o caminho dos malfeitores. Fuja das zonas de perigo. Busque a casa de Deus. Tenha pressa em estar na presença do Senhor.
3. Que a sabedoria proteja sua língua (4.24)
A língua é fogo e veneno. Ela pode incendiar e pode envenenar. Ela é seta e espada; ela fere e mata. O pecado que mais a alma de Deus abomina é espalhar contenda entre os irmãos. A língua pode ser instrumento de morte (Pv 18.21). Ela pode espalhar boataria ou ser instrumento de vida. Lembre-se que você dará contas no dia do juízo por todas as palavras frívolas que proferir.
Afasta da sua boca as palavras torpes, as piadas imorais. Evite a maledicência. Corra do juízo temerário. Abandone a tendência de criticar as pessoas. Sua língua pode ser uma fonte de vida, em vez de ser uma cova de morte.
4. Que a sabedoria proteja seus olhos (4.25)
Os olhos são a lâmpada do corpo. Se seus olhos forem bons, todo o seu corpo será luminoso. Todas as coisas são puras para os puros. Não alimente seus olhos com a impureza. Faça aliança com seus olhos para não entregá-los à lascívia. Desvia os seus olhos daquilo que pode ser um tropeço para seu coração. Evite a pornografia, pois ela pode ser uma cova para seus pés.
Não tenha olhos cheios de cobiça como os de Eva. Não tenha olhos gananciosos como os de Acã. Não tenha olhos lascivos como os da mulher de Potifar. Não tenha olhos cobiçosos como os de Geazi.
5. Que a sabedoria proteja seu coração (4.23)
A batalha é ganha ou perdida na trincheira do coração. Assim como o homem pensa no seu coração, assim ele é. É do coração que procede todo mau desígnio. A boca fala aquilo de que o coração está cheio.
Não basta ter uma boa aparência e um coração sujo. Muitos jamais foram com os pés num prostíbulo, mas no coração não saem dele. Muitos nunca pegaram uma arma para matar uma pessoa, mas muitos matam o próximo com o ódio. Muitos jamais adulteraram, mas no coração são adúlteros inveterados.
Com nossos gestos podemos impressionar os homens, mas Deus vê o coração. Só os puros de coração verão a Deus. Ore como Davi: “Que as palavras da minha boca e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu”.
CONCLUSÃO
O verso 18 fala que a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Cristo é o caminho e ele é a luz. Os justos são guiados pela Palavra que é luz para os nossos pés. Eles são luz e andam na luz do Senhor. Essa é uma luz crescente. A cada dia tornamo-nos mais parecidos com Jesus. Estamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo. Caminhamos para a cidade da luz, onde teremos um corpo de glória que vai brilhar como sol no firmamento.
Pais instruam os seus filhos com sabedoria!
Filhos sigam os conselhos sábios de seus pais!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Murmuração Irá te Destruir - Jeremiah Burroughs


A murmuração é prejudicial para nós, primeiramente, porque uma vez iniciada, ela vai piorando cada vez mais. Um espírito de murmuração é semelhante a uma ferida que se tornou pútrida. A carne infeccionada não pode receber tratamento; ela tem que ser cortada; caso contrário a infecção se espalhará por todo o corpo. E uma tendência à murmuração, se não for estancada, espalhará por toda nossa vida e arruinará tudo.

Por que é tão grave reclamar? Porque é pecado—e isso é a nossa segunda observação. Em Judas, versículos 14-16, os "murmuradores" são colocados em primeiro lugar na lista de pessoas ímpias que Deus irá julgar. Murmurar é pecaminoso: Deus julgará quem faz isso. Que coisa horrível!

Mas por que razão a murmuração. é pecado? À nossa terceira observação é que ela envolve rebelião contra Deus. Quando os israelitas estavam no deserto reclamaram repetidas vezes; Deus os havia resgatado da servidão no Egito, mas eles não se sentiram felizes e gratos por muito tempo. E todas ias vezes que eles murmuraram, Deus considerou aquilo como algo dirigido diretamente contra Ele (Números 14:26-29). Em Números, capítulo 16, o povo murmurou contra Moisés e Arão, mas Deus tratou do assunto como algo feito contra Si próprio, e um terrível castigo sobreveio aos rebeldes: murmurar é coisa grave e tem de ser tratada antes que tal espírito de murmuração se espalhe entre os outros.

Mas, em quarto lugar, reclamar é especialmente sério para os servos de Deus porque isso é uma contradição de tudo o que aconteceu quando Deus os converteu. Ele os fez ver seu pecado e admitir que eram culpados: e porventura tem eles o direito de permitir que algo tão insignificante os faça infelizes? Ele lhes mostrou o maravilhoso amor de Cristo, Sua disposição de deixar Seu Pai e a glória do céu, Sua paciência em aceitar as limitações de um corpo humano, Se humilhar em submissão, perfeita vida e morte sem pecado. Podem eles esquecer tudo isso, e se queixar de que Deus não foi bondoso para com eles? Ele os libertou da necessidade de coisas materiais para que fossem felizes e será que vão reclamar por causa disso? Cristo agora é o Senhor e Rei deles; será que vão rejeitar Sua liderança reclamando dEle? Deus os levou a se submeterem à Sua vontade; e se agora reclamarem, isso sugere que jamais se submeteram, e talvez nem sejam verdadeiros cristãos. Se os cristãos se lembrassem do que Deus tem feito para eles, Seu amor, Seu perdão, Seu dom de uma nova vida, e se se recordassem de que Ele os converteu exatamente com o propósito de viverem na luz de todas essas coisas até o dia de sua morte, eles não murmurariam; pelo contrário, iriam desejar se submeter a Jesus Cristo como seu Senhor, Salvador e Rei.

A quinta coisa que podemos dizer com relação à murmuração é que ela está aquém do padrão que Deus estabelece para os cristãos. Deus é o Pai deles: caso reclamem, isso implica que julgam que Ele não está disposto nem é capaz de zelar pelos melhores interesses deles. Cristo é o noivo; se eles murmuram, significa que eles não confiam no Seu amor. O Espírito Santo é o ajudador deles; se murmuram, querem dizer com isso que não crêem de fato que Ele pode ajudá-los.

Examinemos mais de perto os padrões que Deus estabelece para os cristãos. Ele os elevou a uma posição de grande honra, os fez senhores do céu e da terra; os trouxe para perto dEle mais do que os anjos, uniu-os a Cristo; os cristãos estão numa posição de grande privilégio. Mas Deus teve um propósito ao chamá-los a tal posição. A razão foi para que suas vidas pudessem mostrar o poder de Deus. Então, Ele tem o direito de esperar que aqueles a quem tanto honrou não murmurem.

Deus não é apenas o Salvador deles; Ele é também seu Pai. Os pais almejam ver irromper em seus filhos seus pontos fortes, e Deus deseja ver Seu Espírito operando em Seus filhos. Especialmente Ele quer vê-los se tornando semelhantes ao Seu Filho Jesus Cristo, que sofreu sobremaneira e jamais reclamou, pelo contrário orou "Não a minha vontade seja feita, mas a Tua". Deus tem o direito de esperar que Seus filhos não murmurem.

Se os cristãos dizem que Deus significa mais para eles do que as coisas deste mundo, eles devem prová-lo pela maneira como vivem. É melhor não afirmar ser um cristão do que ser inconsistente no comportamento. Deus tem o direito de esperar que aqueles que reivindicam ser cristãos vivam segundo os padrões cristãos.

Deus concede aos cristãos a fé, por isso têm certeza que tudo que Ele prometeu será deles por direito. A Bíblia afirma que eles devem "viver pela fé". Isso não significa que possam esperar viver sem problemas. Se isso fosse verdade, não haveria necessidade de fé! O que realmente quer dizer é que eles podem aceitar com alegria a vontade de Deus, porque sabem que Ele prometeu toda sorte de coisas boas para eles. Deus tem o direito de esperar que aqueles que foram ensinados a crer em Suas promessas não murmurem.

Em poucas palavras, Deus espera que os cristãos sejam pacientes em tempos de provas e se alegrem em tempos de dificuldade. Pela Sua graça muitos já alcançaram este alto padrão: Lemos sobre alguns deles em Hebreus, capítulo 11, pessoas simples que dependiam de Deus para sustentá-las em situações difíceis. Deus espera isso de nós; se outros fizeram isso, também nós podemos!

Voltando agora ao assunto da murmuração, uma sexta coisa que temos de observar é que ela faz com que nossas orações não tenham qualquer sentido. Não podemos dizer "Seja feita a tua vontade" e esperar que a nossa seja feita! Não podemos dizer "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia", e esperar luxo amanhã! A oração é exatamente o reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus. Se começamos a murmurar sobre o que Deus nos dá, então, devemos deixar de orar.

Em sétimo lugar a murmuração só causa infelicidade. Ela é uma perda de tempo; nossas mentes ficam tão cheias de reclamações que deixamos de pensar em Deus e na Sua Palavra. Ela nos faz úteis para o serviço de Deus. Uma pessoa contente pode oferecer consolo aos outros em tempo de necessidade, mas um resmungão não tem nada a oferecer. Reclamar é o primeiro passo para se afastar de Deus, e como ocorreu com Jonas, para tentar frustrar o plano de Deus, ao invés de submeter-se a Ele. Pior que isso, a murmuração nos torna pessoas ingratas, e a Bíblia considera a ingratidão um pecado. Cristãos que resmungam não são gratos pelos muitos dons que eles têm; eles afirmam que desejam os melhores dons para poderem glorificar a Deus cada vez mais, porém na verdade não são gratos pelas coisas que já receberam. Os cristãos podem ser ingratos dessa maneira, tanto com os dons espirituais que Deus lhes dá quanto com as bênçãos materiais que possuem. Entretanto, Deus espera que os cristãos sejam gratos e O louvem por tudo o que Ele lhes deu. Lutero disse: "O método do Espírito de Deus é pensar menos nas coisas ruins e mais nas coisas boas; pensar que se a cruz vem, é apenas algo pequeno, mas se a misericórdia chega, é algo grandioso." Se vierem as provas, os cristãos deveriam agradecer a Deus por elas não serem tão severas como poderiam ser. O Espírito Santo os ensina como enaltecer ao máximo suas bênçãos e minimizar os seus problemas. O diabo faz o oposto; vejam os israelitas no deserto. Disseram a Moisés: "É pouco, porventura, que nos tenha feito subir de uma terra que mana leite e mel, para nos matares no deserto, para que queiras ainda fazer-te príncipe sobre nós?" (Números 16:13). O espírito de murmuração tinha entrado neles a ponto deles estarem desvirtuando a verdade. O Egito, terra de escravidão, trabalhos forçados, espancamento e mortandade dos fi lhos, não era "terra que mana leite e mel". A liderança de Moisés estava sendo questionada e seus motivos estavam sendo mal interpretados. Os cristãos podem se comportar do mesmo modo. Quando os problemas surgem, eles são tentados a pensar que antes eram mais felizes, e tal pensamento apenas os torna mais infelizes.

Por essa razão podemos acrescentar a oitava observação sobre a murmuração. Visto que ela só nos torna mais infelizes, ela não somente é pecado, mas também é tolice. Que adianta murmurar sobre algo que não temos? Isso facilita nosso aproveitamento das coisas que já temos? Acaso a criança que joga fora seu pedaço de pão vai satisfazer a sua fome por que não há mais bolo? A murmuração é algo fútil. Perguntou o Senhor Jesus: "Quem de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Mateus 6:27). A resposta naturalmente é que ninguém pode. As pessoas podem se preocupar em demasia, mas a murmuração não lhes fará nenhum bem. Deus talvez retenha uma bênção até que eles estejam num estado adequado de mente para recebê-la. Ou se Deus concede a bênção, os cristãos podem descobrir que seu espírito está agora tão amargurado que não podem apreciar a bondade de Deus. O fato é que a murmuração é tolice, pois, ela torna as coisas ainda piores. Cristãos que reclamam são cristãos orgulhosos, que se recusam a se submeter à vontade de Deus para suas vidas. Eles são semelhantes aos marinheiros que reclamam da tempestade ao invés de preparem o navio para enfrentá-la. Marinheiros sensatos reconhecem a superioridade da tempestade e arriam as velas.

As últimas duas coisas que podemos observar com respeito à murmuração são muito sérias. A murmuração provoca a ira de Deus. Ele Se irou quando os israelitas murmuraram; Ele Se enfurece quando os cristãos reclamam. Os israelitas foram punidos por causa da murmuração; e os cristãos, portanto, deveriam tomar cuidado para não aumentar aos seus problemas por atrair sobre si o castigo de Deus. Um espírito intranqüilo e murmurador é o espírito de satanás. Ele foi o primeiro a se rebelar, o primeiro a se queixar, o primeiro a ser amaldiçoado por Deus. Toda rebelião é amaldiçoada, e os cristãos deveriam levar a sério o que a Bíblia diz sobre a murmuração.

A última coisa que vamos observar sobre este assunto é que Deus pode retirar Seu cuidado e proteção daqueles que reclamam dEle. Um empregado descontente pode ser demitido e mandado a procurar outro emprego; e Deus pode enviar Seu povo a procurar outro senhor se ele reclamar da forma como é tratado. Isso pode ser uma forma dEle disciplinar Seus servos e fazê-los confiar nEle, ou pode ser porque eles nunca foram cristãos verdadeiros.
Resmungar faz mal para você. É o primeiro passo numa estrada escorregadia e íngreme. Alguns dos israelitas que murmuraram no deserto jamais viram a terra prometida.

Os Sinais de um Homem Carnal


Os Sinais de um Homem Carnal – Richard Baxter (1615-1693)

Imagem cedida por: http://mocidadecristoreina.blogspot.com


1. Quando um homem em seu desejo de agradar seu apetite, não faz isto visando um objetivo mais elevado, ou seja, a sua preparação para o serviço de Deus, mas somente para seu próprio prazer (claro que ninguém faz tudo conscientemente visando o serviço de Deus. Entretanto, uma vida gasta no serviço de Deus é ausente do prazer carnal, de maneira geral).

2. Quando ele procura mais ansiosa e diligentemente a prosperidade do seu corpo do que de sua alma.

3.Quando ele não se abstêm de seus prazeres, mesmo quando Deus os proíbe ou quando ferem sua alma, ou quando as necessidades de sua alma clamam que os deixe. Mas ele tem que ter seu prazer, não importa o que lhe custe; e é tão persistente nisto, que não o pode negar.

4. Quando os prazeres da carne excedem os deleites em Deus, Sua Santa Palavra e caminhos, e as expectativas de prazer infinito. E isto não só na paixão, mas na estima, escolha e ação. Quando ele prefere estar em um jogo, ou festa, ou outro entretenimento, ou adquirindo boas pechinchas ou lucros do mundo, do que viver na vida de fé e amor, que seria um modo santo e divino de viver.

5. Quando os homens fixam suas mentes em planejar e estudar para fazer provisão para os prazeres da carne e isto ocupa o primeiro lugar em seus pensamentos e lhe é prazeroso.

6. Quando eles conversam, ou ouvem, ou lêem mais coisas agradáveis à carne do que àquelas que deleitam o espírito.

7. Quando eles amam a companhia de pessoas carnais, mais do que a comunhão dos santos, nos quais eles poderiam ser exercitados no louvor ao Seu Criador.

8. Quando eles consideram que o melhor lugar para viver e trabalhar é onde eles podem satisfazer sua carne. Eles preferem estar onde têm coisas fáceis e onde nada falta para o corpo, do que em lugares onde têm muito melhor ajuda e provisão para a alma, apesar da carne ser atormentada por isso.

9. Quando ele está mais disposto a gastar dinheiro para agradar sua carne, do que para agradar a Deus.

10. Quando ele não acredita ou gosta de nenhuma doutrina exceto a "crença-fácil" (isto é, a fé que não requer obediência aos ensinos bíblicos) e odeia a mortificação, que classifica como "legalismo" muito rígido. Por estes sinais e outros semelhantes, podemos facilmente conhecer o homem carnal.